O Auto conhecimento é a chave para a conquista do sucesso.

domingo, 11 de abril de 2021

                                           Capítulo VI                                                                                                                                                                                                                                                                                                               Falando de cura ou sobreviver, usando as ervas


                    Fiz diversas experiências, usando minhas irmãs querida. Já se passou um ano, deste caminhar gratificante, mas tão doído! Experimentei usar cada erva, uma por vez. Duas e tão somente duas, estão sobrevivendo comigo, em uso diário, sendo colocadas ao adormecer, junto de meu corpo. Lavanda e Alecrim!! Consigo sentir um alívio existencial, muito grande, o momento em que deito para o repouso  noturno! As náuseas frequentes e a saudade de algo que nem sei, ficam distantes! SINTO UM ALÍVIO que é uma benção! E CONFORME o dia uso um simples galho de cada erva, ou um galho abundante! Vale aqui ressaltar, que como impressão digita única que somos, não é uma receita, pois cada um de nós é único! Vale a receita do experimento1 Lógico que tomo o bendito plasil, para as náuseas! Assim como a pílula para dormir. Mas, as duas amadas ervas, produzem em meu ser, um lenitivo imediato! Então, posso indicar a maneira como, com mais saúde mental, estou suportando e agradecendo esse câncer-aprendizado. Por hoje, é isso! Carinho!

quinta-feira, 8 de abril de 2021

                                               Capítulo V


                      A vida, independente da minha realidade, segue! Aliás, independente de guerras, tsunamis, ódios raciais, estupro ou casamento, nascimento, a realização de um sonho... tudo segue em metamorfose absoluta! O que aprendi com a vida, é que sendo eu, feliz ou infeliz, a vida segue. Bem, confesso, eu já sabia disso. Por isso, minha escolha, sempre foi viver meu sonho! Sim! Sonhei muito e, construí a vida minha e de quem optou por seguir comigo, um sonho! Eu estava errada? Não acredito nisso, apesar de estar completamente diferente da Rejane, antes do câncer! Bom , não estou feliz, nesse momento. As vezes penso que a medicação dessa doença, fica localizada nas dobras de cada ponto de meu corpo. As *juntas* doem demais.  Kikiki. Para respirar, sem falta de ar, preciso de muita concentração. SE não estou concentrada, difícil, respirar. Sempre tive a convicção de que com o tempo, meu corpo se adaptaria e eu não ficaria tão frágil! Ok. Deus! Mas preciso deixar registrada aqui, essa parte da experiência.  Bom, Hoje o dia transcorreu mais leve. Tenho feito quinze minutos de banho de sol, na hora leve , de manhã e de tarde; ingerido o suco de três limões (colho do limoeiro na hora); deito na grama do jardim me misturando com as formigas que estão felicíssimas. Por que elas estão tão felizes ?  Porque não tenho forças para as exterminar.  Me alimentei de duas em duas horas; comi frutas; gelatina líquida que AMO! E assim foi meu dia! Agora. após um banho demorado, vou fazer os exercícios meus, espirituais. Espero que tu tenhas uma boa noite de sono! Assim como eu! Carinho!

                             

terça-feira, 6 de abril de 2021

                                   Capítulo IV                   


                                   Ok! Ontem nem com a banda ou o coral em ação, me animei a estar aqui, escrever minhas sensações ou pensamentos! O tratamento quimioterápico, é algo milagrosos, mas, o pior sacrifício que vivi em toda a minha vida. Me coloco solidária com todos pacientes dessa terrível doença! Podes conceber injetarem metal derretido, em teu corpo, através de tuas veias? É isso! Bem isso. O sabor do que quer que seja, que coloques em tua boca, tem sabor metálico! A respiração se torna uma arte, como se estivesses andando em areia movediça...a cada passo um risco. A cada respiração, uma vitória!! As tuas veias ficam finas, como uma hóstia que pode ser desmanchada ao primeiro toque de saliva! O sol, quando toca tua pele, parece que vais pegar fogo! Tá bom para ti?  Então hoje, meu humilde pedido, é que tenhas MUITA PACIÊNCIA com quem estiver nessa maratona, ou, como prefiro falar, aprendizado! É um baita aprendizado. A minha boca,  cem por  cento do tempo, SECA. Grata querido blogspot, por eu poder estar aqui, partilhando esse estigma! Estarei de volta, amanhã! Talvez de, melhor humor. 

domingo, 4 de abril de 2021

 Capítulo III


                             Sinto as pálpebras pesadas. Estou na uti do hospital. Não consigo mover meu pescoço, tem um cateter nele. Devagarinho, vou assumindo minhas funções! O desafio maior, é estar sem comando, nenhum. Dona de mim, sempre fui. Mexem em meu corpo a toda hora. Uma fisioterapeuta está me ensinando a  respirar, pois sinto falta de ar. Quantas horas? Quantos dias ? Perdi a noção. Minhas orações são todas voltadas para agradecimento. À vida, ao carinho destas pessoas que são estranhas, para mim. Após uma eternidade, recebo a noticia de que vou sair da uti. Fico feliz! Já no quarto, do SUS, tem 3 camas/pacientes. Mana Janice acomodada em um sofá que deita, é minha acompanhante. Banho? Urgente. Ser um pouquinho Rejane de novo me traz dignidade, para comigo mesma. O aprendizado que vivi naquele quarto hospitalar, vou levar para a vida inteira! Conheci mulheres como eu, lutando pela vida e, um atendimento de toda a equipe médica e para médica, de primeira. Carinho, tanto carinho.  Adel foi nos buscar e largar na casa de minha mãe.  Retornei ao útero materno dia vinte e dois de novembro de dois mil e vinte. Não lembro detalhes, mas foi muito difícil... tudo... Minhas irmãs Janice e Elisabete, cuidaram de mim. Eu me sentia tão acolhida, apesar de no outro quarto do apartamento,  estar mãe Dada em uma cama hospitalar, com Alzheimer e demência, sendo cuidada noite e dia por Elisabete. Uma mulher incansável, esta minha irmã. Retorno à minha casa dia oito de dezembro. Bom, recuperação cirúrgica em andamento. Consulta com nova equipe, agora sim, entrar no real pesadelo da luta contra o câncer: a quimioterapia. Seis no total, de vinte e um em vinte e um dias. Desnecessário falar aqui, o quanto agradeço à medicação na qual estou sendo tratada! Ao despertar, ao adormecer, repito a palavra gratidão, através das contas de meus japamalas! O que tenho aprendido até então? Além da real sobrevivência? Que o que mais amo nessa vida, o carinho, sempre esteve ao meu lado! Dos modos mais diferentes, possíveis! Posso citar alguns, porque adoro falar de carinho: Susi Maria vindo aqui em casa cozinhar a melhor sopa do mundo; Elisabete trazendo água para eu tomar as medicações; Carina fazendo chá e atendendo a Gisela; Lisiane Vinicius e família com o fogo aceso; Loreti depositando $ preocupada que eu coma frutas; aqui, usei um exemplo para agradecer à todas as Anjas e Anjos que têm trilhado esse caminho, comigo. Não teria como citar aqui, tanto carinho. A ajuda de tantos seres humanos, jamais me deixou sentir pânico, juro para ti, que lês este blog.  Entendi que os momentos cruciais, em que choro sem que ninguém veja( a não ser poucas pessoas), eles precisam existencialmente, serem vividos por mim! Te confesso que quando as crises pós quimioterapia passam, estou uma adolescente sem certeza de futuro,,. unida à uma anciã que sorri calma dizendo que tudo vai passar. Hoje, é isso que eu precisava registrar aqui. O caminho que já foi trilhado! Até amanhã! Carinho!

sábado, 3 de abril de 2021

                                          Capítulo II

                                          Foi um estranho despertar. Lembro de estar recebendo a  anestesia.  Adormecer profundamente, e me sentir em um ambiente estranho, diferente.  Busco identificar onde estou, a princípio parece outro planeta ou outra dimensão. A reverberação de movimentos é sem som. A luminosidade é pálida, tipo cinza prateado. Sinto  movimentos passarem por mim, mas estou imobilizada. Não enxergo nada familiar. Percebo sons sem identificar a origem deles. Entendo os sons...falam de tele transporte. Procuro visualizar o que é meu corpo. Mas não entendo o que sou. É UMA MASSA FÍSICA, sem forma, mas nada parecido com sombra. Volto minha atenção para o som. É uma língua que conheço, pois entendo tudo perfeitamente. É como se eu estivesse em uma aula da escola. Sempre atenta. A lógica do que é ensinado, é surpreendente, imagino como Leonardo da Vinci se sentia, com tantas informações, a vida inteira.  Ao pensar no mestre Leonardo, brota de dentro de mim uma enorme irritabilidade. Poxa! Mas nem aqui, me deixam em paz? Isso surgiu como um raio, ao lembrar que eu estou em anestesia...é minha saúde! Estou em uma cirurgia de retirada de um câncer! Não bastou até aqui ? 67 anos! Desde menina vivendo com mundos paralelos, com povos visíveis só para mim, a cada instante. Agora necessito estar concentrada em minha saúde, ou na recuperação dela. Sinto uma fraqueza assustadora, como se me distanciasse abruptamente dessa realidade cinza pálida! Sinto falta de ar, náuseas, meu Deus! Estou morrendo? Não consigo respirar, que assustador! Tudo fica preto ao meu redor. Sinto meu corpo mergulhar em um redemoinho escuro, denso, pesado.  As minhas têmporas latejam e um movimento agitado de pessoas, vestidas de branco, ao redor de mim, tocando meu corpo. A dificuldade em respirar normaliza, Um líquido foi injetado em meu pescoço , e caio em um sono profundo. Uma paz desconhecida, misturada com alívio, toma conta de mim. Não estou morta!

sexta-feira, 2 de abril de 2021

                                                         Buscando entendimento existencial


Me encontro em um momento especial, estranho, doído, de vida!  Tratando um câncer de útero, já extirpado em uma cirurgia, onde fiquei 48h na uti, pós cirurgia. Isso aconteceu em novembro de 2020.  Desde então, o tratamento quimioterápico, tem sido vivido em sessões de 21 em 21 dias, no abençoado hospital Santa Clara, em Porto Alegre. que caminhada dura! Não lembro de ter tomado, ao longo de meus 67 anos, tanta medicação, em minha vida.  Não havia sentido ainda, meu corpo, como sinto hoje! Sabe tratamento à base de ervas? Cristais? Benzeduras? Sim, assim foi minha ida, até então. Criei meus 4 filhos assim, inclusive a quarta fila, que é cadeirante e surda! Quero deixar aqui claríssimo que, não estou gemendo ou me queixando... estou buscando entendimento, nessa nova nascida de vida. Renascer das cinzas? É isso. Phoenix, eu pensava conhecer essa vivência, afinal todos os dias, ao acordar, olhando o reflexo do meu rosto no espelho, enquanto escovava os dentes, eu me saudava: Bom dia Estranha! Sempre renascida, a cada dia. Hoje, quando acordo e vejo o reflexo de mim mesma, sinto carinho e compaixão, por essa mulher refletida. Me acho uma mulher bonita, sim, Nem a perda do cabelo, me entristeceu. Na real, sempre sonhei em raspar a cabeça. Mas não é essa a questão. É o modo como estou sentindo tudo isso. Já passei por todas as fases conhecidas e aprendidas com outras mulheres que passaram e passam por isso. A mudança tocou minha juventude, não tenho mais a exuberância interior de meus eternos 20 anos.  Não sinto falta disso. Só não entendo, porque essa foi a mudança maior. Não que eu sentisse essa juventude como eterna, é que ela não se modificava. Seria ilusão? Seria o modo rejane de ser????? Pois então... vou reiniciar o hábito de escrever aqui, nesse blog. Vou começar do momento que nasci de novo, quando despertei na uti do hospital. Posso ter certeza que ali, naquele momento, vindo de uma experiência entre vida e morte, que eu renasci. E olha, conforme a equipe médica falou: 8 entre 10 mulheres que têm esse tipo de câncer,  morrem!! Assim vou fazer... talvez assim, eu possa me cobrar menos, por estar tão complicado, me reconhecer e me reencontrar. Até a próxima escrita! Gratidão!  







segunda-feira, 22 de março de 2021

                                      Se eu quiser falar com Deus



                                    De repente, o instantâneo do momento da explosão! Sabe quando tu acionas um interruptor e a luz clareia a escuridão?  Esse micro espaço de segundos de anos, de tempo indeterminado, eu estou em escuridão total Nada! Nada! Um breu, a sensação não se apega à uma densidade qualquer ede matéria! Tipo: estou voando ? estou sentada em uma cadeira?  mergulhando em um rio? estou pisando na grama ? NADA. Me sinto em pé, sobre nada ... uma consciência sem apoio físico, emocional ou sequer identidade?  Dimensão de tempo é zero. Fome? Frio? Movimento físico?  Aquela velha ansiedade inseparável a respeito de tudo, do todo?  Euforia, angústia, depressão, mágoa, alegria, saudade, amor? O passado, o presente? Família? Isso é real?  É quando percebo um pequeno barulho ... como um papel passado suavemente, sobre uma superfície lisa ... penso em virar minha cabeça na direção desse som.  Busco qualquer referência nesta escuridão total: identificar algo que evolua em minha mente ... um a luz, uma brisa, um movimento ... sinto a respiração movimentar meu corpo.